o importante é o show business!
"Que as palavras que falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor, apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos."

Oswaldo Montenegro,
em Metade
21 de julho de 2008

Sobre as energias

David Cunha, o Espanta

Os amigos leitores hão de me perdoar a falta de exatidão da data, mas foi em agosto ou setembro de 1994, quando este que vos escreve tinha apenas 9 anos, que minha família me levou pela primeira vez a um show do finado humorista Espanta (que na época atendia por Espanta Jesus, pois alegava ser tão feio que espantava o pai, o filho e o Espírito Santo, e reduziu o nome por questões religiosas).

Nunca esqueci do Espanta contando uma piada sobre um casal de velhinhos dormindo, de madrugada, quando a velhinha acorda passando mal:

– Meu véi…
– Quié?
– Tá me dando uma coisa…
– Pois receba.
– Meu véi… É uma coisa ruim!
– Pois devolva.

Talvez o Espanta não soubesse, mas além de humorista ele era um pouco filósofo.


Definição pessoal de Deus: Deus é energia em movimento.


A vida tem lá seu jeito de nos enviar sinais, e algo acima de nós tem lá seu jeito de nos indicar caminhos. Precisamos ter mente e coração abertos pra captá-los.

Nuff said.

1 de julho de 2008

Special needs

Um homem precisa criar raízes.

Precisa dum lugar pra pregar seus quadros, pôr seus livros sobre prateleiras. Precisa que esses livros tenham, se não respostas, novas perguntas. E precisa duma folha em branco pra derramar suas idéias, pensamentos e sentimentos que talvez nunca venham a ser lidos.

Um homem precisa se desprender de suas raízes, volta e meia, e fortalecer-se com os nutrientes de outros solos.

Um homem precisa dar e receber abraços, repletos de significados, quando palavras não bastarem. Precisa de música pra acalentar o espírito, precisa de outros espíritos pra dividir essa música, e tantas outras, dia e noite. Precisa dum lugar seguro pra descansar seus amores, seus temores.

Um homem precisa lembrar que é humano. Precisa estar ciente de seus limites e dos limites alheios. Um homem precisa de princípios, precisa de um vento que o leve em boas direções ainda que à esteja à deriva.

Precisa de olhos e ouvidos atentos, e precisa saber a hora de ficar em silêncio. E precisa de silêncio como precisa de risos altos.

Precisa meditar. Precisa de paciência precisa de serenidade precisa de coragem precisa de discernimento.

E este homem precisa aceitar suas necessidades, precisa aceitar aquilo de que um homem precisa…

27 de junho de 2008

Protocolo

Ontem, ao baixar o vidro do carro pra pegar um daqueles tíquetes de estacionamento num shopping, fui surpreendido: o vidro recusou-se a subir de volta. Acabei tendo de levá-lo pra consertar bem cedo, afinal não dá pra deixar o carro de janela aberta por aí. E ainda bem que não choveu…

Levei a uma oficina especializada em portas, e aproveitei pra resolver o problema de uma outra peça da porta que havia quebrado há um tempão, mas nada tão urgente quanto o problema da janela. Ao desmontar a porta, o problema do vidro foi resolvido só com uma pancadinha numa peça. Já o conserto da outra peça quebrada foi mais complicado.

No entanto, vendo o problema do vidro ser resolvido facilmente, o mecânico veio com um papo de que era importante abrir a peça onde ele tinha só dado uma batidinha com a mão, dizendo que precisava duma limpeza, que o problema do vidro tanto poderia acontecer de novo em breve, ou podia acontecer nunca, e que limpar a tal da peça era a garantia de não acontecer.

Achei a conversa florida demais, meu tapeômetro interior disparou e achei melhor recusar a limpeza da peça. Ele repete a história do talvez dê problema de novo, ou não, e recuso novamente. Aí vem o dono da oficina, ao qual o mecânico diz que eu recusei a limpeza, e o dono me conta, de novo, que a peça poderia voltar a dar problema… ou não.

Eu estava quase dizendo o que eles deviam fazer com a tal peça, mas acordei de ótimo humor e preferi apenas pagar pela outra peça quebrada. Ao receber o recibo do serviço, eis que o mecânico olha pra mim e fala baixinho: “Ó, isso aqui vai funcionar um tempão. Tome o cuidado de subir e descer o vidro sempre, pra não acumular sujeira nas peças.”

O questionamento até agora é se o dono da oficina e os mecânicos têm algum protocolo pra tapear clientes com serviços desnecessários. Me senti como quem escapa duma pegadinha ao recusar o serviço e, ao final, descobrir que nem precisava.

E assim eu economizei 35 reais.

27 de abril de 2008

Across the universe

Cartaz de Across The Universe

 

Algumas pessoas me falaram de maneira bem imperativa para que eu assistisse Across the universe, musical feito somente com músicas dos Beatles, e com várias citações a várias músicas em alguns diálogos. Hoje eu finalmente parei pra vê-lo.

Não vou comentar as partes que gostei mais ou que gostei menos pra não criar expectativas boas ou ruins. Mas, em uma palavra: vejam.



5 de abril de 2008

A situação atual do rock brasileiro

Hoje me ofereceram cortesias pro show do Capital Inicial. Não rolou.
 

Olha o naipe.

 
Até 2003, eu praticamente me recusava a ouvir qualquer coisa estrangeira. Eu só ouvia rock nacional mesmo, do tipo Paralamas, Legião Urbana, Titãs e por aí vai. Comecei a ouvir outras coisas, mas nem por isso abandonei meu antigo gosto. No entanto, dificilmente eu presto atenção em algum novo trabalho das antigas bandas que eu gostava. As razões?

  • Os Titãs ficaram senis demais e pararam de fazer o rock bom que eles faziam. O Nando Reis saiu da banda na hora certa.
  • O Capital Inicial parece que não cresceu, com seus membros quase cinquentões cantando músicas com a mais pura rebeldia adolescente.
  • O Biquini Cavadão gravou um disco de covers em 2001, depois gravou o mesmo disco de covers ao vivo… enfim, desde 2001 eles se repetem à exaustão.
  • O Nenhum de Nós gravou um segundo acústico e em seguida um disco ao vivo.
  • Os Engenheiros do Hawaii gravaram um acústico depois de outro acústico (foi mais ou menos assim que começou a decadência dos Titãs).
  • Os Paralamas do Sucesso, minha banda nacional favorita, tá me parecendo ingênuo demais.
  • Pra finalizar, toda banda nova que tem aparecido no mainstream ou é aquele hardcore/emocore chato, ou é imitação do Los Hermanos.

É… Já era.

26 de março de 2008

Aprendendo a pedalar

Foi num dia desses qualquer que eu pensei que eu precisava dum hobby saudável. Jogar FarCry nos fins de semana é um ótimo hobby, mas não é saudável. E eu também ando tremendamente sedentário e precisava fazer atividade física, mas falta paciência pra malhar. Meu único horário vago pra academia é à noite, quando você pega uma fila com 5 pessoas pra usar o supino e, quando você finalmente consegue, ainda fica um cara mais forte que você (e vestindo o abadá do Fortal passado) esperando na fila com cara de “Esse aparelho é meu!”.


O cruel supino da morte

O cruel supino da morte. Fonte: Wikipedia

Pensei, então, em pedalar. Mas pedalar numa bicicleta normal, nada de bicicleta ergométrica, que você pedala e não sai do canto. Só tem um problema: no auge dos meus 22 anos, quase 23, eu nunca havia aprendido a andar de bicicleta.

(essa é a hora que você, que aprendeu a andar de bicicleta com 7 anos, ri.)

O que você não imagina é que, quando você chega numa roda de pessoas e fala que não sabe andar de bicicleta, aparece um monte que também não sabe, só que elas têm vergonha de admitir até que alguém o faça. Como ando numa fase de renovação e desafios, encarei.

Bem, pensei em conseguir uma bicicleta emprestada pra aprender. Procurei, procurei, e nada. Ninguém tem uma bicicleta encostada pra emprestar. Quando se passa o dia com estudantes de Computação e a noite com pessoas que escutam rock alternativo, você só tem amigos sedentários. Minha mãe, a Cocota e a psicóloga deram o apoio, e eu já tava pesquisando preços de bicicleta quando meu pai decidiu comprar minha idéia e me deu uma de presente.


Caloi Aluminum

Meu brinquedo novo: uma Caloi Aluminum

A escolhida foi uma Caloi Aluminum, uma mountain bike boa pra iniciantes e que anda com dignidade em vários terrenos. Pra escolha contei com auxílio do site Escola de Bicicleta e da comunidade do orkut Bicicleta: o melhor transporte. Se você for comprar uma bicicleta, evite as marcas estranhas e as bicicletas muito baratas da TV e supermercados: elas são pouco resistentes e, segundo a mulher da loja onde montei minha bicicleta, muitas delas já vêm com defeito.

Acabei aprendendo a andar no quintal de casa mesmo (e apesar da insistência de alguns amigos, sem rodinhas). O quintal não é muito grande, mas é o suficiente pra aprender a se equilibrar e pedalar uns poucos metros. Treinando uns 10 minutos por dia, a façanha se deu em poucos dias. Eu imaginei que ia cair e me quebrar, mas ao perder o equilíbrio é só encostar o pé no chão.

Se você também for um adulto que não aprendeu a andar de bicicleta, a dica: não adianta insistir se você está sem paciência, mas tente um pouco todo dia. Tente pegar impulso no chão, pedalar e confiar na Física, se a bicicleta entrar em movimento você não cai. Num belo dia, duma hora pra outra a mágica acontece e você está se equilibrando. Quando as coisas vão começando a melhorar e você vai se sentindo mais leve e relaxado, é uma alegria praticamente infantil.

Já consigo me equilibrar direito, só preciso pegar uma prática melhor com os freios e as marchas. Falta agora achar outros não-sedentários (ou aspirantes a não-sedentários) dispostos a participar da empreitada e pedalar em grupo. Alguém topa?

16 de março de 2008

Krafty

Sabe aquelas músicas que você conhece há tempo mas nunca prestou atenção? Krafty, do New Order, é uma delas, e a amicíssima Carol Gauche me chamou atenção pra essa música dia desses.

 

 

:: New Order - Krafty

Some people get up at the break of day
Gotta go to work before it gets too late
Sitting in a car and driving down the road
That ain’t the way it has to be

But that’s what you do to earn your daily wage
That’s the kind of world that we’re living in today
Isn’t where you wanna be
And isn’t what you wanna do

Just give me one more day (one more day)
Give me another night (just another night)
I need a second chance (second chance)
This time I’ll get it right (This time I’ll get it right)

I’ll say it one last time (one last time)
I’ve gotta let you know (I’ve gotta let you know)
I’ve got to change your mind (I’ve got to change your mind)
I’ll never let you go

You’ve gotta look at life the way it oughta be
Looking at the stars from underneath a tree
There’s a world inside and a world out there
With that tv you just don’t care

They’ve got violence, wars and killing too
All shrunk down in a two-foot tube
But out there the world is a beautiful place
With mountains, lakes and the human race
And this is where I wanna be
And this is what I wanna do

Just give me one more day (one more day)
Give me another night (just another night)
I need a second chance (second chance)
This time I’ll get it right (This time I’ll get it right)

I’ll say it one last time (one last time)
I’ve got to let you know (I’ve got to let you know)
I’ve got to change your mind (change your mind)
I’ll never let you go

Just give me one more chance (one more chance)
Give me another night (just another night)
With just one more day (one more day)
Maybe we’ll get it right (You know I’ll get it right)

I’ll say it one last time (one last time)
I’ve got to let you know (I’ve got to let you know)
If I could change your mind (change your mind)
I’ll never let you go

15 de março de 2008

2008

Sim, eu sei que já estamos em março. Mas o ano começa depois do Carnaval, não é? Bem, já estamos quase na Semana Santa e, pouco a pouco, vou tentando traçar planos pra um 2008 leve.

  • Me alimentar melhor. Nos últimos dias venho tentando me educar pra comer salada e evitar refrigerantes. Tenho tido algum sucesso, e uma vez por semana me permito fugir da regra e até almoçar um sanduíche.
  • Fazer atividade física. Sedentarismo não faz bem pra ninguém e pra diabéticos faz menos ainda. Fazer atividade física é uma maneira saudável de produzir endorfina. Estou pensando em pedalar, que é um hobby saudável. Jogar FarCry é um hobby, mas não é saudável.
  • Mais tempo com as pessoas queridas. É o que alivia a barra nos fins de semana e em alguns intervalos de tempo durante a semana. E é uma parte difícil.
  • Tentar levar a faculdade de maneira equilibrada. Preciso me organizar e me deixar abater menos por essa cruz que carrego e que é fonte de 90% das minhas lamentações diárias.
  • Juntar dinheiro. Pra isso vou tentando ser mais econômico. Quero comprar meu notebook entre o fim de 2008 e metade de 2009.
  • Ler mais livros. E quando falo ler livros, são coisas que não estejam relacionadas a trabalho e faculdade.


4 de março de 2008

As pessoas

ou Momento diarinho: um texto ao vivo

Três horas vagas.

Três horas entre uma aula e outra. Eu devia estudar, se não tivesse esquecido o livro em casa. Ao invés disso, vou comer alguma coisa, e penso em como vou preencher as próximas horas. Comecei comprando uma caneta. Minha antiga caneta azul acabou a tinta, após anos de bom trabalho. Ela exercia sua função com maestria desde agosto de 2005.

Saio do shopping rumo ao CH. O Centro de Humanidades é o setor da universidade onde ficam as Casas de Cultura Estrangeira. Muito ali mudou, foi reformado. Mas não tarda para acontecer tudo mais uma vez, e as pessoas começam a surgir. Fazia dois anos que eu não andava ali àquela hora, mas acontece tudo de novo: eu encontrando vários amigos no ponto de encontro de anos atrás.

Parece que tenho 17, 18, 19 ou 20 anos de novo. Lembro como era bom encontrar os amigos ali, numa época que eu tinha menos preocupações. Alguns problemas de hoje até já existiam, mas eu me preocupava menos com eles. O tempo passa e a gente fica adulto e preocupado.

“Preciso de um ano sabático”, eu falei mais cedo pra uma amiga minha. 22 anos, quase 23, e o jovem de poucos anos atrás se sente velho e cansado. Faltou descanso e tempo pras coisas do coração. No fim das contas, não importa dinheiro e diploma, o mais importante da vida são as pessoas. Todo dia eu tento me convencer disso, enquanto a faculdade tenta me convencer do contrário.

Minha amiga respondeu dizendo que eu podia levar uma vida mais sabática ou coisa do tipo. E eu soube o que ela quis dizer.

(paro de escrever: felizmente interrompido por mais amigos, conversas, uma aula que não teve; volto pra casa e continuo a escrever horas depois)

Eu preciso aprender a conciliar as coisas. Não sei se isso me levou a escolher minha carreira profissional ou se foi o contrário, mas me tornei um homem de zeros e uns, de intervalos discretos bem-divididos – um homem de extremos. Quando me dedico a algo, esqueço o resto do mundo. Ou sou um vagabundo, ou sou um workaholic. Preciso descobrir o caminho do meio.

Ando com alguns planos pra tentar levar uma vida mais equilibrada, fazer coisas simples pra relaxar e aliviar a tensão. Por enquanto, hoje vou dormir feliz. Nada como as surpresas: um intervalo de três horas que tinha tudo para ser chato foi simplesmente espetacular e valeu o dia.

26 de fevereiro de 2008

1984

Fazia um tempão que eu queria ler 1984, de George Orwell. Há algumas semanas, a Cocota me deu o livro de presente. O veredito: simplesmente sensacional.

1984 Escrito em 1948, o livro trata dum futurista ano de 1984 onde a sociedade foi arrasada por guerras, o mundo foi redividido em três grandes potências e o Estado domina a vida individual de cada habitante. As pessoas são vigiadas dia e noite pelas câmeras do governo, cujo mentor é o Grande Irmão (tadááá! Daí o nome do reality show Big Brother, pra quem ainda não sabia). Até mesmo o passado é alterado pelos órgãos oficiais do governo, e assim a história é modificada.

Orwell era um escritor a frente de seu tempo. Mostrou a todos de sua época uma sociedade onde não havia liberdade de pensamento ou expressão, onde as pessoas seriam vigiadas dia e noite e onde não há opiniões contrárias ao do governo. Melhor que formular toda essa sociedade fictícia, fez disso uma grande história. E não há como negar que alguma coisa dali, de um jeito ou de outro, virou realidade.

1984 vale a leitura, e entrou para a lista de meus livros favoritos.


 
Manifesto
o segundo passado, antes de qualquer coisa, virou história; histórias, sobretudo, servem para ser contadas. cada um de nós é protagonista de sua história, e sua vida seu respectivo palco. vivendo e convivendo, somos protagonistas, coadjuvantes e figurantes de bilhões de histórias. não havendo graça no abismo do anonimato, exponho aqui a minha história. ela é contada em forma de fatos e idéias, sem personagens, maquiagem ou playback, para receber aplausos ou tomates – jamais me ocultando com cortinas. no fim das contas, seja a história dramática ou cômica, o importante é o show business. está tudo aí, pra quem quiser ver.
 
Eu
Esdras Beleza de Noronha, 23 anos, Fortaleza, Computação na Universidade Federal do Ceará, livros e filmes de estilos diversos, alguma coisa de britpop, indie rock e rock nacional, fotografia amadora, programação, redes, Linux. Em eterno processo de aprendizagem.
 
:: Perfil no orkut
 
 
 
 
Eu concordo
"Não cometas nenhum ato vergonhoso, nem na presença de outros, nem em segredo. A tua primeira lei deve ser o respeito a ti mesmo."
(Pitágoras)

 
"Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém."
(São Paulo)

 
"Tenho interesse no futuro porque vou passar lá o resto do meu tempo"
(Charles F. Kettening)
 


 

 

 

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